Fórum delibera agenda regional para prevenção e enfrentamento a desastres

Amepi aglutinará ações para preparar municípios frente ao aquecimento global, Super El Nino e eventos extremos
“A prevenção deve estar no centro das políticas públicas de Defesa Civil nos municípios da região”. Essa é a posição defendida pelo presidente da Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Piracicaba (Amepi) e prefeito de Rio Piracicaba, Augusto Henrique, e demais atores durante o I Fórum Permanente do Médio Piracicaba Contra Desastres, realizado no dia 24 de setembro na Câmara Municipal de João Monlevade.
O evento, conduzido pelo Mestre de Cerimônias, jornalista Luiz Ernesto Guimarães, promovido pela Amepi, CBH Piracicaba, Cáritas Diocesana Itabira e Instituto Águas Para Os Rios (IAPORI), propõs o enfrentamento dos eventos extremos de forma integrada entre os municípios e instituições públicas e privadas.
Durante o fórum, foram deliberadas, sob a tutela da Amepi, três propostas de ações para enfrentamento do clima extremo que se avizinha, com objetivo de fortalecer a prevenção e a atuação conjunta dos municípios, sendo elas: a criação da Câmara Técnica de Prevenção Contra Desastres no Médio Piracicaba (CTCod), que deverá funcionar como espaço permanente de discussão, compartilhamento de informações e construção de estratégias regionais para prevenir desastres ambientais e climáticos; realização de uma análise jurídica para a criação de um instrumento legal que permita aos municípios prestar auxílio mútuo em situações de desastre e calamidade com essa proposta considerando a autorização das Câmaras Municipais, garantindo segurança jurídica para a cooperação entre as administrações e capacitações dos municípios pela Defesa Civil Estadual e pelo Corpo de Bombeiros, com foco na educação para o auto salvamento, com essa iniciativa visando a preparação de agentes públicos e da população para emergências.
Vozes do Fórum
Para o presidente da Amepi, Augusto Henrique, as três deliberações estabelecem os primeiros passos de uma agenda permanente de prevenção, baseada na preparação dos municípios, na capacitação da população e na cooperação regional.
Já o presidente do IAPORI e vice-presidente do CBH Piracicaba, Geraldo Magela Gonçalves, o Dindão, a iniciativa foi coroada com as ações propostas. “Queremos e precisamos fortalecer políticas públicas, estimular campanhas educativas, criar brigadas comunitárias e buscar o compromisso coletivo com a prevenção e o enfrentamento dos desastres. Que este seja o marco de uma nova postura: firme, solidária e comprometida com a construção de cidades mais seguras e resilientes”, pontuou.
A diretora da Caritas Diocesana de Itabira, Lucimere da Silva Leão, que é membro da Comissão de Meio Ambiente da Província Eclesiástica de Mariana; Coordenadora da Assessoria Técnica Independente (ATI) da Caritas nos Territórios 1 e 2 na Bacia do Rio Doce, que junto ao assessor jurídico da instituição, João Pedro Amorim, falaram sobre a assistência ao atingidos pelos eventos extremos, sugeriu a criação do Fórum da Sociedade Civil Contra Desastres, nos mesmos moldes desse que acontece. Proposta já em estudo junto a parceiros.
Especialistas compartilham conhecimento e experiências durante fórum
A programação do I Fórum Permanente do Médio Piracicaba Contra Desastres reuniu representantes dos municípios, órgãos públicos, especialistas, ONG´s e instituições privadas e abordou diversos temas correlatos ao evento.
A Professora Ana Carolina Vasquez, da UNIFEI – Polo Itabira, abordou com maestria o tema “mudanças climáticas e super El Niño”, para falar dos impactos desses fenômenos nos ecossistemas, também da UNIFEI Itabira, o professor Gláucio Marques, que é natural de João Monlevade, fez um paralelo de sua época de criança com a atualidade, falando das mudanças.
A sequência trouxe um série de apresentações que envolveram o público presente – Da Defesa Civil Estadual o Capitão PM Jackson, saúde pública – Kelly Cristina Lage do Hospital Margarida, legislação e fiscalização – Anderson de Paula e GCM´s César e Luciano da SEMMADS de Mariana, tecnologias de monitoramento (alertas de cheias e incêndios florestais) Alex Cardoso da Agedoce, Patrick Santos da Cenibra, Tarcísio Barbosa da ArcelorMittal, atendimento a emergências – 2º Tenente BM Rubens Nery do Corpo de Bombeiros, brigadas e atendimento – Saulo Amaral da Brigada Florestal, Renato Carvalho do Sevor, educação ambiental – Eduardo de Freitas da Recupera Rio Doce e fechando a programação a coordenadora da Cáritas Diocesana Itabira, parceira no evento, Lucimere Leão, falou sobre a participação social.
Também foram apresentados estudos de caso de municípios da região, destacando as cidades de Mariana, por Anderson de Paula e Rio Piracicaba; pelo prefeito Augusto Henrique e testemunhos das cidades de Santa Maria de Itabira, pelo prefeito André Lúcio e dr Laércio Ribeiro, de João Monlevade.
Os parlamentares monlevadenses, Belmar Diniz, Maria do Sagrado e Thiago Titó participaram do evento, enquanto o presidente da casa vereador Fernando Linhares, Revetrie Teixeira e Sassá, justificaram ausência.
Mudança de comportamento
Para o presidente da Amepi, Augusto, é necessário mudar a forma como a Defesa Civil é tratada pelos municípios, concentrando esforços apenas na resposta às emergências. Segundo ele, a identificação dos riscos, a preparação das equipes, a orientação da população e a articulação entre as cidades devem fazer parte do planejamento permanente. “Mais do que urgente, nós precisamos mudar esse pensamento e tratarmos Defesa Civil de forma preventiva. Isso muda todo o panorama de uma região”, afirmou.
O presidente da Amepi relatou as fortes chuvas registradas em Rio Piracicaba nos meses de maio e setembro e destacou a dificuldade de prever o comportamento dos eventos climáticos. O relevo acidentado da região e a ocupação de áreas próximas aos cursos d’água também reforçam a necessidade de antecipar riscos. “Não podemos esperar que um desastre aconteça para depois buscar soluções. Precisamos antecipar os acontecimentos e preparar os municípios para aquilo que pode ocorrer”, defendeu.
O prefeito de João Monlevade, Laércio Ribeiro, que também fez um relato do enfretamento a tragédias na cidade, concorda que é preciso haver mais investimentos e atenção com a prevenção, citando a falta de recursos destinados às pautas ambientais e informando que João Monlevade acaba de lançar uma campanha de enfrentamento aos eventos climáticos.
Falta de monitoramento e prevenção
A importância de uma atuação contínua, com monitoramento e ações preventivas foram destacadas pela professora e climatologista Ana Carolina Vasquez durante sua apresentação sobre os fenômenos climáticos. Ela chamou a atenção para duas situações: a falta de monitoramento na região e a reconstrução de estruturas da mesma forma e no mesmo local onde ocorreram problemas: “Falta dados para que se possa propor ações de prevenção e não podemos reconstruir no mesmo lugar e da mesma forma, aquilo que sabemos que deu errado”, disse.
O capitão Jakson Avelino, porta-voz e integrante da Diretoria de Relações Institucionais da Defesa Civil Estadual fez coro com a climatologista, ressaltando que a gestão de riscos não pode começar somente quando ocorre uma emergência. “A gestão do risco precisa ser permanente. Nós não podemos esperar a chuva, a inundação acontecer”, afirmou. Avelino destacou ainda a importância da mobilização dos municípios e das instituições para ampliar a integração regional e fortalecer a preparação diante de eventos climáticos extremos.
O 2º Tenente BM Rubens Nery de Sant’ana Junior, comandante do 6º Pelotão de Bombeiros Militar, sediado em Itabira e do Posto Avançado de Bombeiros Militar de João Monlevade, também comunga com o colega militar, destacando a atuação conjunta, preventiva, educacional e de mudança de cultura.
Documento
Finalizado o evento, após as deliberações, definiu-se pela elaboração de um documento com as propostas práticas e compromissos aprovados para, em 30 dias, ser apresentado o formato para implementação.

