Dia da Árvore: uma data para refletir sobre os efeitos do Transtorno do Déficit de Natureza nas crianças

*Cilene Queiroz

O desmatamento desencadeia uma série de desequilíbrios ecológicos que acarreta na redução de biodiversidade, no agravamento das mudanças climáticas e no aumento de problemas socioeconômicos. Com o intuito de evidenciar a importância das árvores e promover a educação ambiental, foi estabelecido o Dia da Árvore em 21 de setembro. A data, que marca o final do inverno e o início da primavera no Hemisfério Sul, serve para conscientizar sobre a importância da preservação ambiental, o combate ao desmatamento e o papel vital das plantas no planeta. 

É uma oportunidade perfeita para combater o Transtorno do Déficit de Natureza em crianças que crescem cercadas por concreto e telas. Mesmo em grandes centros urbanos, é possível criar conexões reais e transformadoras com o meio ambiente através de experiências práticas. O Transtorno do Déficit de Natureza, termo cunhado pelo jornalista Richard Louv no livro A Última Criança na Natureza, descreve os custos humanos do afastamento do mundo natural, resultando em sintomas como déficit de atenção, obesidade, ansiedade e redução da criatividade, especialmente em crianças. 

O Dia da Árvore e o Transtorno do Déficit de Natureza (TDN) estão diretamente conectados pela urgência de reconectar as pessoas ao meio ambiente natural. Por isso, o Dia da Árvore funciona como um convite prático para combater os efeitos do TDN na sociedade. 

Estar perto de árvores ativa os sentidos — o cheiro da terra, o toque na casca, a sombra e o som das folhas ao vento — e reduz os níveis de cortisol, o hormônio do estresse. A convivência com árvores fortalece o sistema imunológico devido à inalação de fitoncidas, compostos orgânicos liberados pelas plantas, e melhora a concentração e o humor. Além disso, o ato de plantar ou cultivar uma árvore ensina paciência, cuidado, responsabilidade e pertencimento ao ecossistema.  Devemos, portanto, nos apropriar da data para combater o TDN através de aulas e atividades ao ar livre, plantio coletivo e mapeamento afetivo. 

Há algumas estratégias práticas para serem adotadas no dia a dia, por exemplo: rotina ao ar livre (estabelecer ao menos 30 a 60 minutos diários de atividades externas livres sem uso de telas); brincadeira não estruturada (permitir o contato direto com a terra, areia, água e subida em árvores para cultivar a exploração sensorial e a resiliência); e refeições e estudo externos (transferir momentos da rotina para áreas abertas, como fazer piqueniques no fim de semana ou ler sob a sombra de uma árvore). 

Portanto, reconectar crianças e adultos com o meio natural é indispensável para cultivar a empatia ambiental e restabelecer a saúde integral das futuras gerações. A preservação das árvores é, em última análise, a preservação da própria qualidade de vida humana. 

* Formada em Biologia e mestre em Agronomia, Cilene Queiroz também é autora de “A Águia Solidária e o Planeta Azul”, um livro infantil que promove a consciência ambiental e maior contato com a natureza

Nota da redação

Na Bacia Hidrográfica do Rio Piracicaba a população encontra inúmeras possibilidades de contato saudável com a natureza – desde as nascentes do Piracicaba, o Parque Natural da Serra do Caraça, quando em sua foz, o Parque Estadual do Rio Doce. Mas não é só isso, existem inúmeras áreas, inclusive urbanas, como a Mata do Intelecto em Itabira e Parque do Areão em João Monlevade.

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