Aves do Piracicaba: Barbudinho, raridade do alto Rio Piracicaba

Aproveitando as férias na Bacia Hidrográfica do Rio Piracicaba, fomos atrás de uma espécie que devido à perda de seu habitat, se encontra globalmente quase ameaçada de extinção, o barbudinho (Phylloscartes eximius).

As cabeceiras do Piracicaba são um dos limites setentrionais de ocorrência dessa rara e pouco conhecida espécie.

No Wikiaves, até 2020, havia poucos registros do barbudinho na nossa bacia, incluindo áreas protegidas de Catas Altas (RPPN do Caraça), Santa Bárbara (Parque da Serra do Gandarela) e Ouro Preto (Floresta de Uaimií e Parque do Itacolomi).

Foi então que o ornitólogo Bruno Rennó descobriu essa espécie na cidade vizinha de Alvinópolis, mais precisamente no distrito de Fonseca, numa área muito promissora, ornitologicamente falando.

Desde então queria muito explorar o local e tentar registrar essa super raridade da nossa bacia, mas não sabia nem sequer o “ponto do bicho” (jargão que indica o local onde podemos encontrar algumas espécies territorialistas).

Então pesquisei imagens de satélite e utilizei conhecimentos adquiridos e do encontro que tive com essa espécie, no sopé da Serra de São José, em Tiradentes, para encontrá-la em Fonseca.

Num primeiro local explorado, a princípio mais alto, nada. Então, seguindo a intuição, resolvi ir ao maior fragmento que havia descoberto pelas imagens de satélite, à beira do ainda límpido Rio Piracicaba, a cerca de 25 quilômetros em linha reta de sua nascente e 700 metros de altitude.

Atravessamos uma ponte sobre o rio e pegamos uma estrada à direita, que seguia um riacho que desaguava no rio. O barbudinho está associado a cursos d’água, então aquele era um bom local para procurarmos.

E para a nossa sorte e completa alegria, assim que começamos as buscas, um casal foi encontrado!

Havia dito ao grande e velho amigo que me acompanhou nessa expedição, Durval Pitombeira, que, sem nenhuma referência, não seria nada fácil encontrar o barbudinho. Mas nas primeiras horas de buscas, já havíamos conquistado nossos objetivos, registrar essa raríssima espécie da nossa bacia e melhorar meu único registro do barbudinho, aquele que fiz em Tiradentes, também nos idos de 2020.

Aproveitamos o resto da manhã passarinhando naquelas matas pouco exploradas, enquanto a mente tentava imaginar porque aquela rara espécie não era encontrada em outras áreas preservadas da bacia, porque sua distribuição que vinha lá do Sul do Brasil, parava ali em Alvinópolis, sem seguir adiante.

Cheguei até a perguntar a um amigo, um dos maiores ornitólogos brasileiros, e sua resposta foi poética, há nessas florestas coisas que nossos olhos ainda não conseguiram perceber.

E é essa magia que nos encanta! Desbravar, procurar, descobrir e eternizar, através da fotografia, os requintes da Natureza que infelizmente, a cada dia, são exterminados pela ganância humana.

Bem amigos leitores, essa expedição ao alto Piracicaba foi realmente fantástica!

Além do nosso encontro com o barbudinho e de conhecer a natureza primeva do nosso Rio Piracicaba, com a exuberante Mata Atlântica a praticamente abraçá-lo, fizemos um registro incrível que deverá ser publicado numa revista científica. Quando sair a publicação, divulgaremos aqui no jornal.

Um grande abraço a todos e até a próxima!!!

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