Enquanto a população dorme
- Os Sinos Anunciam
Dindão- 02/03/2026
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Na luta diária pela sobrevivência (escala 6 X 1), grande parte da população não tem tempo para nem mesmo sentir o sabor dos alimentos, muitas vezes nem mesmo um tempo para se alimentar adequadamente.
Se uma parte corre para sobreviver, outra grande, principalmente os da faixa etária abaixo dos 40 anos, se encontra enebriada e hipnotizada pelas Redes Sociais, vivendo um mundo paralelo, enquanto o mundo real é corroído e destruído pelo chamado “crescimento econômico”, insustentável.
Um exemplo clássico é um projeto que corre para implementação na Bacia do Piracicaba de uma estrutura que faz a “Barragem de Fundão”, parecer brinquedo de criança.
Quem ganha?
Sobre nossas cabeças
Agora mesmo está tramitando nas instâncias ambientais um processo de licenciamento para a construção de um megaempreendimento que é, literalmente, uma BOMBA RELÓGIO sobre as cabeças de grande parte da população da Bacia Hidrográfica do Rio Doce, atingindo mais de 2 milhões de pessoas diretamente.
Esse megaempreendimento se chama PDER TREVO – uma pilha de rejeito bem em cima do Rio Piracicaba.
A obra está sendo projetada para a Mina de Alegria, em Mariana, para receber rejeito de três grandes minas, além de Alegria, Fábrica Nova e Fazendão.
Logo abaixo dessa megaestrutura encontram as seguintes cidades / distritos: Santa Rita Durão, Fonseca, Rio Piracicaba, João Monlevade, Nova Era, Antônio Dias, Timóteo, Coronel Fabriciano, Ipatinga, quando o Piracicaba desagua no Rio Doce – e segue o fluxo.
Sem garantias
Como não existem estudos mais aprofundados sobre o comportamento de pilhas de rejeito, nem o governo que licencia garante a segurança do empreendimento, ficando tudo por conta do empreendedor, a Vale.
Os pareceres do IGAM e do jurídico do órgão deixam claro que não tem responsabilidade nenhuma sobre os estudos apresentados, nem pelo projeto e muito menos sobre a obra. A Vale é a garantidora do projeto. Você se sente seguro?
Risco das mudanças climáticas
As mudanças climáticas configuram, atualmente, um dos principais fatores de risco para a segurança de instalações de mineração, em especial barragens de rejeitos, pilhas de estéreis e seus sistemas de drenagem associados.
Evidências científicas consolidadas indicam um aumento significativo na frequência, na intensidade, na concentração temporal e na agressividade física das precipitações extremas, além da ocorrência mais frequente de períodos prolongados de estiagem seguidos por chuvas intensas. Esses fenômenos afetam diretamente os mecanismos de escoamento superficial, drenagem interna, erosão hídrica, percolação, pressões neutras e estabilidade geotécnica dessas estruturas.
Critérios tradicionalmente adotados no Brasil para o dimensionamento hidrológico e hidráulico de instalações de mineração tornaram-se conceitualmente insuficientes para representar os riscos reais associados ao clima atual e futuro.
Tais abordagens não capturam de forma adequada a não estacionariedade hidrológica, a intensificação dos eventos extremos, nem a erosividade das chuvas, variável física crítica diretamente relacionada aos mecanismos de falha por erosão, degradação de sistemas de drenagem e instabilização progressiva de maciços. Fonte: NOTA TÉCNICA Forum Permanente do São Francisco -NT 12-2026
Futuro hídrico
Garantir segurança hídrica em um mundo em transformação climática exige repensar a maneira como a água é gerida, distribuída e consumida. Trata-se de fortalecer instituições, investir em ciência e tecnologia, adotar políticas públicas integradas e valorizar a participação social.
O futuro da segurança hídrica dependerá da capacidade coletiva de construir sociedades mais resilientes e adaptadas, capazes de enfrentar a incerteza climática com responsabilidade, solidariedade e inovação.
