Donald Trump e as Mudanças Climáticas

 Donald Trump e as Mudanças Climáticas

Segundo o jornal The New York Times, o Governo Trump já está comemorando a vitória na anulação de toda a legislação climática que sustentava o combate ao aquecimento global no país. Em apenas 1 ano, Trump não só eliminou todos os avanços do governo Barak Obama, principalmente os compromissos assumidos na Convenção de Paris, em 2015, quando também esteve presente o Presidente da China, Xi Ji Ping, o que dá uma dimensão e seriedade da questão do aquecimento global.

Atacando e boicotando algumas das mais conceituadas universidades do mundo dentro do seu país, de forma ignorante, mesquinha e míope, ele quer criar um novo caminho nas pesquisas na direção de priorizar o petróleo e o carvão: segundo ele, isto significa “o maior ato de desregulamentação da história dos Estados Unidos”. Portanto, não existe política climática no Governo Trump e sim um desmanche de tudo feito anteriormente e de bilhões de dólares investidos em políticas e regulamentações governamentais.

Trump revogou a decisão histórica que considerava os gases de efeito estufa um risco para a saúde pública no país e no mundo.                                                                                                                                                   Ao declarar que “estou sempre certo sobre tudo” e que “as mudanças climáticas são uma grande farsa” ele nos faz lembrar dos tempos da Inquisição da Igreja Católica. Além disso, não esqueçamos que ele foi considerado culpado por 34 crimes, aos quais não cabe mais recursos.

Trump exigiu, no ano passado, que o Departamento de Energia elaborasse um painel de cientistas para escrever um relatório, contestando a ciência climática amplamente aceita por milhares de cientistas de quase 150 países que trabalham para reduzir os impactos do aquecimento global causado pelos gases de efeito estufa. Entretanto, especialistas, em todo o mundo, criticaram o painel alegando que seu relatório além de não representar o setor, é impreciso e enganoso.                                                                                                                        Vale lembrar que algumas das maiores petrolíferas americanas se manifestaram contra a saída do Governo do Acordo de Paris, pois percebem que as mudanças climáticas se tornaram um assunto global e transnacional, e que, certamente serão tratados nos fóruns internacionais, com ou sem a participação do Governo Trump.

O que já está acontecendo são as chamadas ações judiciais “incômodas”, impetradas por indivíduos ou organizações sobre a questão climática como a Academia de Ciências, movimento ambientalista, sindicatos, mídia, governos estaduais etc.

As batalhas judiciais certamente serão ferrenhas e chegaram à Suprema Corte, onde surpreendentemente, Trump já foi derrotado por 6 X 3. 

Quais serão as consequências da saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, de 2015?     

A nova ordem econômica mundial imposta por um país de 380 milhões de habitante, maior potência econômica, militar e tecnológica do planeta certamente enfraquecerá o movimento contra o aquecimento global. É provável também que ocorrerá um aumento nas emissões dos GEE´s já que aquele país é o segundo maior poluidor do planeta.

Poderão ocorrer coerções, imposições e sanções econômicas contra países que estiverem, por exemplo, desenvolvendo programas interessantes no combate ao aquecimento global.

Por outro lado, há uma esperança na aproximação dos cientistas com toda a sociedade norte americana através da prática de uma “ciência climática cidadã” dentro do território dos Estados Unidos.

A derrota na Suprema Corte e a pressão da opinião pública norte americana podem pressionar e influenciar Trump, que tem a imagem como sua grande arma.

Entretanto, sua preocupação com esta imagem está circunscrita somente ao território norte americano, pois sabe que os resultados das eleições podem tirá-lo do poder.

 

* Claudio B. Guerra é consultor ambiental na bacia do Rio Doce nos últimos 30 anos. Fez o mestrado em recursos hídricos pelo UNESCO Institute for Water Education, em Delft, na Holanda

Dindão Dindão

Dindão

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