Falência hídrica

 Falência hídrica

Chovendo no molhado?

“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”.

Temos que ser resilientes e falar até “babar”, ou escrever, digitar, publicar.

Temos que lembrar que, assim como ar, a água é vital para a vida. A água transforma tudo. Sem acesso a ela, a morte é certa, e segundo especialistas, morrer de sede é pior que por asfixia.

A água é fonte da vida. Não importa quem somos, o que fazemos, onde vivemos, nós dependemos dela para viver.

E para completar o ciclo da água, a chuva é parte essencial.

A querida chuva

Para quem tem acordado desse transe estranho que atinge o ser moderno e este tem percebido a falta que a chuva faz, ver o céu descer ao chão é motivo de alegria e euforia.

Chuva é frescor frente ao calor do verão, é reservatório enchendo, é água na torneira, é verde no pasto, alimento no prato, luz acesa no quarto e peito cheio de cheiro de chão molhado.

Chuva é menino brincando na enxurrada (é triste não ver isso mais com frequência), é cachoeira que volta a brotar, é nascente que se recarrega. Chuva é a terra dando a luz, vida nascendo e é esperança.

Era pra ter chovido mais

Em apenas alguns poucos dias de chuva (infelizmente), tem muita gente achando que já choveu o bastante. Muita gente mesmo.

Parece que nem precisamos da chuva.

Não sei se é pelo fato de, a cada ano que passa, com o desequilíbrio ambiental, as chuvas terem se escasseado, as pessoas acabam desacostumando com a época delas.

Em nossa região, o normal era as chuvas chegarem junto com novembro, passar por dezembro, abençoar o Natal, lavar a alma para o ano novo, rasgar o janeiro, (abrindo um espaço para a ida à “praia”, o famoso “veranico”), deitar água todo fevereiro para fechar o verão com as “águas de março”.

Até há uns 20 anos atrás isso era o normal, mas essa regra da natureza também vem sendo quebrada.  

Espero que, para o bem-estar de todos, as chuvas tenham sequência, principalmente essa chuva boa, leve, que, mesmo com muita impermeabilização, infiltre e abasteça nossos aquíferos e revitalize nossas nascentes.

Chovendo no molhado 2

E para fechar o tema na coluna dessa edição, vamos bater na tecla novamente: NÃO CULPEM AS CHUVAS.

“Falência hídrica”

Matéria do G1 do dia 25 de janeiro apresenta estudo desenvolvido pelo Instituto da Universidade das Nações Unidas para a Água, o Meio Ambiente e a Saúde, chama a atenção pela forma com que as autoridades e população vem tratando a questão hídrica, como se a água doce fosse uma coisa infinita.

Essa falência está muito mais perto que imaginamos. Na verdade, já chegou para cerca de 2 bilhões de pessoas no planeta; e não adianta achar que são seres do outro lado do mundo – aqui, bem perto de você já tem gente sofrendo sem água na torneira – e a falta de água na torneira todos sabem o quão é trágico.

Encontro da Sociedade Civil para as águas

Representantes da Sociedade Civil, conselheiros dos Comitês de Bacias Hidrográficas do Rio Doce se reunirão entre os dias 2 e 5 de fevereiro, no Parque Estadual do Rio Doce (PERD), para alinharem ações em prol das nossas águas.

O encontro será uma oportunidade para debaterem os desafios que o segmento enfrenta nos comitês diante a “falência hídrica” que nos avizinha.

Dá pra confiar?

Para uns pode ser ironia do destino, mas para muitos é descaso, irresponsabilidade, imprudência ou crime mesmo.

O fato é que no dia em que o CRIME de Brumadinho completava 7 anos (janeiro de 2019), mais uma estrutura da Vale se rompeu, causando mais um CRIME AMBIENTAL e prejuízos a terceiros. Dessa vez a CSN foi uma das vítimas que teve suas instalações tomada pela água e lama.

O fato se deu em uma mina da Vale, entre os municípios de Ouro Preto e Congonhas e lançou mais de 200 mil metros cúbicos de água lamacenta ao meio ambiente.

O grave nisso é que mais uma vez é comprovado que não dá pra confiar na empresa, pois ela sempre diz que suas estruturas são robustas, monitoradas 24 horas por dia e suportam chuvas deca milenares – uma inverdade, pois nem está chovendo tanto para colocarem a culpa na chuva.

ALERTA

Autoridades da Bacia do Piracicaba – VIVEMOS SOB MAIS DE 200 ESTRUTURAS – BARRAGENS DE REJEITO (ativas, paralisadas e ou abandonadas).

Que despertem para esse assunto, promovam um seminário junto aos órgãos competentes, empresas, academias, especialistas, para debater e aprofundar no assunto ou corremos o risco de nos tornar mais um Bento Rodrigues e ou Brumadinho nos próximos anos – visto que os eventos climáticos extremos e mais frequentes são um fator a acrescentar nessa grave equação.

Dindão Dindão

Dindão

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