Gavião-belo: uma bela novidade na bacia
- Aves do Piracicaba
Dindão- 03/12/2025
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Caros leitores, nessa edição vamos falar de uma espécie que foi recentemente registrada na bacia, mais precisamente dia 11/11, na nossa maior reserva ambiental, em Marliéria.
Mais uma vez o Parque Estadual do Rio Doce (PERD) é palco de um importante registro ornitológico para a bacia do Piracicaba, confirmando seu imensurável valor ecológico.
Trata-se do magnífico gavião-belo (Busarellus nigricollis), registrado pelo Ricardo Freitas, observador de aves de Dionísio.
Ricardo informou à coluna que há uns 4 anos tem observado essa espécie transitando nos limites do parque, sempre um só indivíduo, e que fez a foto quando percebeu que não havia registro dessa espécie no guia de aves do PERD.
Ricardo não imaginava que estava fazendo o primeiro registro do gavião-belo para a bacia do Piracicaba e o segundo da bacia do Rio Doce (fonte: Wikiaves).
Consultando o grande especialista em aves de rapina, Luiz Salvador Jr., constatamos que se trata não só do primeiro registro dessa espécie para a bacia do Piracicaba no Wikiaves, mas em toda história!
Parabenizo aqui o observador Ricardo Freitas pelo registro histórico e o agradeço pelas informações.
Gavião-belo
O gavião-belo, como o próprio nome diz, é um gavião de beleza ímpar, destacando-se também pelo porte imponente, com seu mais de meio metro de comprimento e um metro e trinta de envergadura.
Outra curiosidade dessa espécie é que ela se alimenta principalmente de peixes. Poderia assim facilmente se chamar gavião-pescador, mas popularmente esse nome já é usado para a águia-pescadora (Pandion haliaetus).
Exímio pescador, captura peixes de até 35 cm de comprimento com suas garras afiadas, especializadas na captura de peixes.
No Brasil, essa espécie é mais encontrada nos biomas da Amazônia, do Cerrado e do Pantanal, e sempre próximo a áreas alagadas, onde além dos peixes, captura caramujos, rãs, insetos aquáticos e até filhotes de jacaré.
No Wikiaves, não encontramos nenhum registro para a Caatinga, e os registros nos domínios da Mata Atlântica são raríssimos.
No Pantanal, onde a oferta de peixes é grande, o gavião-belo é facilmente encontrado e foi onde fizemos os registros que ilustram a coluna. Inclusive, foi nessa ocasião que fizemos um flagrante interessante: um gavião-belo tentando “roubar” o peixe de uma garça-moura, a maior garça brasileira.
Depois de algumas investidas sem sucesso, o gavião-belo desistiu da empreitada. Deve ter percebido que é mais tranquilo pescar o seu próprio peixe que brigar pelo peixe alheio.
