Indiferença ambiental

 Indiferença ambiental

Nem se fôssemos cegos e surdos não teria como passar despercebido.

Os televisores, rádios, jornais, Redes Sociais, em todo lugar, o que mais se fala, ouve, lê e vê é sobre as questões climáticas e ambientais.

Ainda a pouco, a COP 30, realizada em Belém, foi o centro das atenções da mídia mundial.

Entretanto, mesmo diante todo esse alarde, a maioria da população se mostra alheia às questões ambientais, mesmo essas questões causando impacto direto em suas vidas.

Estariam infectados por um tipo de vírus “zumbi” que colocam essas pessoas caminhando em direção ao abismo sem perceber a fatalidade que se aproxima?

Nada racional

Apesar de sermos considerados “animais racionais”, muitos de nossas atitudes demonstram o contrário, começando por sujarmos a água que bebemos.

A água nasce pura, cristalina e, na maioria das nascentes, podemos nos deleitar desse precioso líquido.

Entretanto, no percurso dessa água, promovemos sua contaminação e depois investimos “rios” de dinheiro para tratar essa água e pagamos para poder consumi-la, com uma qualidade inferior de quando essa nasce – que é de graça. Portanto, nada racional.

E a lista segue – desmatamos, impermeabilizamos o solo, contaminamos tudo, provocamos o desequilíbrio nos ecossistemas que a natureza demorou milhões de anos para equilibrar e, mesmo sabendo que estamos fazendo errado – seguimos em direção ao caos ambiental.

Por que isso acontece?

Estudando o comportamento

Um estudo da FGV (Fundação Getúlio Vargas) EBAPE (Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas), conduzido pelo pesquisador Yan Vieites, investigou como a população brasileira percebe quem mais contribui para a degradação ambiental. Os resultados revelaram uma distorção significativa na percepção coletiva:

– Percepção equivocada: menos da metade dos participantes reconhece que os mais ricos poluem mais. A maioria acredita que pobres e ricos poluem igualmente ou até que os mais pobres poluem mais.

– Pegada ecológica real: diversos estudos mostram que os mais ricos têm uma pegada ecológica muito maior, devido a hábitos como mais consumo, mais viagens, maior consumo de carne vermelha e maior uso de energia elétrica, entre outros.

– Metodologia: foram realizados quatro estudos (pesquisas e experimentos), incluindo um com 339 participantes, para avaliar como as pessoas interpretam a relação entre estilo de vida e impacto ambiental.

– Justificativas dos participantes:

– 28,3% reconheceram corretamente que o maior consumo dos ricos gera mais poluição.

– 5% associaram a poluição à falta de serviços básicos (coleta de lixo, esgoto), culpando injustamente os mais pobres.

– 7,7% acreditam que os ricos, por terem mais recursos, podem ser mais sustentáveis.

– 10,3% apontaram que maior renda implica maior educação formal e ambiental.

– Conclusão: independentemente de gênero, classe social ou orientação política, a população subestima a disparidade real entre ricos e pobres na poluição.

– Implicações: documentar essa percepção é essencial para pressionar os mais ricos a reduzir seu consumo e para embasar políticas públicas que imponham encargos ambientais mais pesados sobre quem mais polui.

Reflexões

Portanto, muito mais que indiferentes nas questões ambientais, o estudo demonstra que a base da pirâmide, os mais pobres, nem percebe que, são os que menos impactos ambientais causam, mas os que mais sofrem com esses impactos, e por outro lado, são os que mais poderes tem de promover a reversão dessa situação, cobrando dos poderes constituídos ações que objetivam a busca pela sustentabilidade.

 

Entretanto, não é o que se vê, prova disso é que, diante essa indiferença ambiental, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais, sob pressão do governo Zema, está privatizando a Copasa, o que impactará diretamente os mais pobres, que mais uma vez, pagaram a “conta”.

Dindão Dindão

Dindão

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