Expedição da Ecoavis à bacia do Piracicaba

 Expedição da Ecoavis à bacia do Piracicaba

Ave, amigos! Essa nossa saudação inicial nunca foi tão apropriada. 

Nessa edição especial falaremos de amigos que as aves reuniram e, claro, teremos muitas delas, numa seleção especial.

De 18 a 20 de julho, a Ecoavis promoveu uma expedição à Bacia Hidrográfica do Rio Piracicaba, mais especificamente exploraram áreas em Rio Piracicaba e São Gonçalo do Rio Abaixo. No total, 21 observadores participaram das atividades de campo, sendo 19 ecoavianos e dois convidados, o Gustavo Oliveira, de Gravatá/PE, que esteve pela primeira vez passarinhando no Sudeste brasileiro e fez muitos lifers (registro de uma espécie nova), e o Durval Bruzzi, meu primo/irmão, grande parceiro desde os primórdios da observação de rapinantes, que prestou auxílio fundamental para o sucesso desta empreitada. Digno também de menção e agradecimentos foi o ecoaviano Weslley Lima, que passou o dia do aniversário do seu pai guiando o grupo em São Gonçalo do Rio Abaixo, sua terra, onde é o maior conhecedor de suas aves.

Ecoavis

Na edição anterior já falamos da Ecoavis, como instituição. Agora vou aproveitar para falar um pouco de minha história com ela.

O segundo livro de aves que adquiri, na década de 90, o Aves Silvestres de Minas Gerais, do Marco A. de Andrade, mencionava um Clube de Observadores de Aves de MG (COA-MG). Naquela época, pré-internet e estudante do interior, fiquei deslumbrado com a possibilidade de fazer parte de um grupo que possuía essa paixão em comum, que como já mencionado, só comungava com meu primo/irmão Dudu. Mas aquilo era um sonho distante, não fazia ideia do meu futuro.

Então quis o destino que, iniciando no mundo da internet e com um trabalho estável, estivesse morando em BH exatamente quando conheci o Wikiaves. E, com a revolução digital que mudou nossas vidas, virei fotógrafo de aves e descobri que aquele COA-MG se tornara ECOAVIS, e que ainda era uma instituição respeitada na cena ambiental mineira. Ufa! Esse foi um momento divisor de águas na minha vida.

Com minha natural timidez, entrei em contato pelo site e desde o primeiro momento fui muito bem recebido, participando, a partir de então, de várias expedições onde pude aprender demais com ornitólogos e fotógrafos mais experientes.

Por essas e tantas outras sou muito grato à ECOAVIS, meu clube de coração.

E fica a dica aos caros amigos leitores, se quiserem entrar para essa tribo fantástica, é só se inscrever no site.

A Expedição

A expedição foi um sucesso, mais de 140 aves observadas no final de semana, principalmente na “Floresta Encantada”, um considerável fragmento de Mata Atlântica na divisa dos municípios de Rio Piracicaba e São Gonçalo do Rio Abaixo, mas também no Potreiro, sítio de minha família próximo à cidade de Rio Piracicaba, onde a maior parte do grupo se hospedou.

No Potreiro, os destaques foram o tiê-sangue, e um provável híbrido de tiê-sangue e tiê-preto que alguns ecoavianos registraram, o barbudo-rajado, o corrupião, a saracura-sanã, o joão-botina-do-brejo, o chorão, o japu, a maracanã, saí-azul, figuinha-de-rabo-castanho, marreca-ananaí, sanã-vermelha, borralhara-assobiadora (essas duas últimas só foram ouvidas) e um jovem gavião-gato registrado quase no mesmo momento em que um gavião-pega-macaco foi observado mais distante, lembrando que essa última espécie na verdade se trata de uma águia florestal.

O Potreiro mais uma vez surpreendendo, registrando espécies novas para o local, no presente caso o gavião-gato, cuja foto de autoria do Almir Brito pode ser conferida no Wikiaves, sendo o segundo registro para o município (fonte Wikiaves), depois de mais de doze anos do primeiro.

Já na Floresta Encantada, com o auxílio inestimável do Weslley e da experiência e conhecimento de membros da diretoria da Ecoavis presentes no evento, como o vice-presidente Helberth Peixoto e o conselheiro Juan Espanha, ambos ornitólogos, muitas dezenas de espécies foram observadas e registradas pelos participantes, com destaque para o chororó-cinzento, espécie arisca, rara e quase ameaçada globalmente, que exigiu bastante paciência e técnica dos fotógrafos; o jacurutu, maior coruja das Américas, que habita a parte de maior altitude da Floresta, cuja beleza cênica, com o pôr do sol, foi uma atração à parte; a coruja-do-mato, bicho top que este que vos escreve não possuía um registro satisfatório e que graças à ajuda dos amigos ecoavianos pude melhorar, e muito, minha foto desse rapinante noturno; o formigueiro-assobiador, ave fantástica e geralmente arisca que “deu muito mole” para aqueles que persistiram até o final da expedição, além de muitas outras espécies sensacionais, como o surucuá-variado, pi-puí, tesoura-cinzenta, gavião-bombachinha-grande, chupa-dente, vite-vite-de-olho-cinza, sabiá-coleira, patinho, tiê-de-topete, tangarazinho, estrelinha-ametista, entre muitas outras.

Confraternização

Mas a maior atração dessa expedição, sem dúvida, foi a reunião de um grupo fantástico e eclético que possui uma paixão em comum, as aves.

Jovens de 19 a 82 anos aspirando e respirando aves, contando, empolgados, suas observações e registros, suas experiências vividas nessa e em outras vivências, aprendendo e ensinando, comungando emoções e sentimentos que só quem tem um dom muito especial pode desfrutar.

Enfim, foi um final de semana inesquecível, de grandes encontros e de memórias eternizadas por muitas fotos, algumas compartilhadas aqui, nesse periódico que tem como uma de suas missões lutar pela preservação da natureza em todas suas formas, assim como a gloriosa Ecoavis.

Especial Expedição Ecoavis na Bacia do Piracicaba

O clube de observadores de aves de Minas Gerais (Ecoavis), organização cuja missão é promover o bem-estar e conhecimento por meio da observação de aves aliada à ciência cidadã e educação ambiental, realizou entre os dias 18 e 20 de julho, uma “Expedição” de observação na Bacia Hidrográfica do Rio Piracicaba, sendo a cidade homônima ao rio escolhida para sediar o evento.

O editor da coluna “Aves do Piracicaba”, foi o anfitrião do grupo e acompanhou de perto essa aventura avifaunística.

Nesta edição trazemos alguns registros e depoimentos enviados pelos ecoavianos.

1 – Juan Espanha (formigueiro-assobiador)

A viagem a Rio Piracicaba já prometia ser especial: reencontrar nosso querido amigo João Sérgio e, finalmente, conhecer o Potreiro. Mas foi além das expectativas — afinal, uma expedição da Ecoavis, cercada de bons amigos e recebida com tanto carinho, não poderia ser melhor.

O saldo foi uma experiência inesquecível: mais uma cidade mineira para a lista e muitas aves registradas pelas lentes. A expectativa era alta — afinal, já se passaram anos desde as últimas expedições da Ecoavis em 2013 e 2016 — e sempre acompanhamos, com admiração, as aventuras do João em seu blog e os destaques no Tribuna.

O grande foco era a chamada “floresta encantada” — que, aliás, bem merecia esse nome e até se tornar um parque. Ela ainda resiste, e no sonho de qualquer passarinheiro, poderia ser conectada ao PERD por um grande corredor ecológico. Impressiona a diversidade e abundância de aves que ainda habitam a região, mesmo sob forte pressão das atividades humanas.

O resultado? Muitos lifers, belas fotos, bons momentos e incontáveis risadas. Entre as várias espécies marcantes, o formigueiro-assobiador, com sua beleza singular, roubou a cena.

Gratidão por essa vivência incrível.

2 – Almir Brito (Barbudo-rajado)

Barbudo-rajado (malacoptila striata), este pássaro me encanta pela sua beleza e tranquilidade que me transmitiu, no momento da observação, no sítio Potreiro, permitindo que eu conseguisse belas fotos.

3 – Graça Brito Tié-sangue

Tié-sangue (Ramphocelus bresilius) é uma ave que fascina pela sua beleza, mas acima de tudo nos leva a refletir sobre a perfeição da natureza e o quanto precisamos agir para a sua preservação. Registro feito no sítio Potreiro.

4 – Corrupião (Gustavo de Gravatá – Pernambuco)

Depois de cinco dias vivenciando muitas passarinhadas na região de Rio Piracicaba, recebi do amigo João Sérgio a missão de escolher a foto que mais gostei e justificar minha decisão. Confesso que, para mim, foi simples: escolhi a imagem do Corrupião (Icterus jamacaii). Não por ser uma espécie rara ou desconhecida, muito pelo contrário. Minha felicidade nesse registro está exatamente em se tratar de um velho conhecido, pois aquele passarinho replicava o sentimento que me veio ao deparar-me com o Potreiro e todas as pessoas ali inseridas, em especial os amigos Durval Bruzzi e João Sérgio.

O Corrupião — ou mais intimamente Concriz, como o chamamos em Pernambuco — me reservou uma felicidade diferente. Não por encontrar algo novo, mas sim pela sensação de reencontro com um amigo de longa data, sentimento que estendo a todos que me receberam naquele lugar, estava cercado por muitas pessoas ali mesmo apresentadas, mas com as quais me identifiquei como se já os conhecesse. Para mim, é disso que se trata a atividade de passarinhar: estar próximo da natureza e dos amigos que naturalmente fiz ao longo da vida.

Só me resta, mais uma vez, aguardar a chance de fazer uma nova viagem migratória direto de Pernambuco para Rio Piracicaba, que já se tornou uma extensão do meu habitat natural.

5 – Tiê-Sangue (Milton Amparo)

Tiê-Sangue, pássaro símbolo da Sede do ” Sítio Potreiro” em Rio Piracicaba.    

6 – Maracanã (Marco Antônio Guimarães)

O dia foi 19 de julho de 2025. Um grupo de aproximadamente 20 pessoas, apaixonadas pelas aves e associadas da OSC Ecoavis – reunia-se no Sítio Potreiro, na cidade de Rio-Piracicaba-MG a convite do também ecoaviano e generoso anfitrião João Sérgio, natural daquela bela e agradável cidade.

Era já fim de tarde quando fazíamos uma observação em que várias espécies de aves desfilavam diante de nossos olhos admirados. Atraiu-me especialmente a atenção a chegada da maracanã (Primolius maracana), ave psitaciforme da família Psittacidae.

Além de uma beleza que muito me encanta, trata-se de espécie classificada como vulnerável, o que significa que, se medidas não forem tomadas, buscando sua proteção e conservação, ela pode entrar em processo de extinção.

Eu havia buscado por esta espécie no final do ano passado, nas serras de Petrópolis-RJ, sem êxito. Encontrá-la de maneira inesperada ali mesmo no sítio Potreiro, ensejando um registro fotográfico que me permite eternizar a beleza da espécie, foi um emocionante presente que interpretei como sinal de que a sorte sorriria para nós naquela expedição que ainda se estenderia até o domingo, dia 21, e que de fato nos presenteou com mais de uma centena de outras espécies observadas no Sítio Potreiro, na Floresta Encantada e na Serra da Seara.

Sucesso total, muita emoção e gratidão!

7 – Tiê-sangue (Myriam Thereza Bamberg A. Melo)

Tiê-sangue (Rhamphocellus bresilius) macho, possível híbrido (talvez com tiê-preto). Ele frequentou o local onde havia algumas bananas maduras, no sítio Potreiro. A característica diferente é essa área preta na barriga – que normalmente é toda vermelha nessa espécie.

8 – Coruja-do-mato (João Sérgio)

Na primeira noite da expedição não fui à “corujada” para receber os amigos que faltavam chegar. Para minha surpresa, o grupo que foi registrou uma espécie que eu nunca tinha encontrado lá e que só tinha feito um registro péssimo, numa grande reserva de Mata Atlântica em Linhares/ES, em 2013. No dia seguinte, contando com a ajuda dos amigos que me levaram ao local do dia anterior, consegui melhorar e muito o meu registro dessa fantástica coruja, a coruja-do-mato.

 

A colaboração entre os membros da Ecoavis é marca registrada do grupo e sempre proporcionou grandes registros, como um dos últimos lifers que fiz, o raríssimo caminheiro-dourado, graças ao nosso Presidente, o Amaury Pimenta, que nos guiou nos ameaçados campos naturais de Nova Lima, habitat dessa espécie.

Dindão Dindão

Dindão

Related post