COP 30: A emergência climática hoje; estamos todos no mesmo barco?
- Águas e mudanças climáticas
Dindão- 10/09/2025
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“Não estamos todos no mesmo barco. A crise pode existir para todos, mas tem gente que está de caiaque, enquanto tem gente que está dentro de um transatlântico.”
(Igor Travassos, Greenpeace Brasil)
A COP30 será um teste de liderança para o Brasil e um termômetro para o futuro da governança ambiental global. O mundo espera avanços concretos, e o fracasso nas negociações não será apenas uma derrota diplomática, mas um risco real para o planeta. (Thomas Law)
O GREENPEACE é a maior ONG do mundo, com 75 anos de atuação (30 deles no Brasil), na defesa e na proteção da nossa sociobiodiversidade. Essa ONG usa a estratégia das campanhas de mobilização, de engajamento da população para a cobrança dos tomadores de decisão sobre questões ligadas ao nosso futuro Nesse ponto, a ONG privilegia boas relações com a mídia e investe na “espetacularização” dos desastres ambientais de grande monta, chamando a atenção do mundo para a gravidade dos fatos.
Portanto, para o GREENPEACE a questão não é somente ambiental, mas também social, econômica, ética e jurídica. Assim, a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, sob a gestão Trump, é reconhecida como um enfraquecimento dos esforços multilaterais, criando um vácuo de liderança. A China, maior produtora mundial de energia renovável, tem assumido um papel decisivo na transição energética e se coloca como uma peça-chave para impulsionar os debates na COP 30.
Um olhar mais focado nas questões sociais mostra que as populações mais vulneráveis precisam de um apoio maior do poder público no enfrentamento aos impactos das mudanças climáticas, devido seu completo desconhecimento deste que é um fenômeno novo. Portanto, este não é apenas um problema ambiental, mas também de direitos humanos. Essa foi a posição reiterada pelo Presidente Lula, nas 2 últimas reuniões dos BRIC´s, realizadas no Rio de janeiro, em 2025.
O Brasil, como anfitrião da conferência e presidente do BRICS, terá a responsabilidade de unir interesses diversos e buscar um consenso. Os desafios são imensos: um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) alerta que 93% dos países não cumpriram as metas da CND ( Contribuição Nacional Determinada ), isto é, não desenvolveram planos e ações efetivas no combate às mudanças climáticas. E o pior: as emissões do GEE´s continuam aumentando, embora com taxas menores.
Portanto, lamentamos concluir que a COP 30 é um grande teatro onde a irresponsabilidade, hipocrisia, voracidade, omissão, indiferença e ignorância da maioria dos tomadores de decisões (salvo brilhantes exceções) vai prevalecer. E o cidadão comum? E a opinião pública? Como eles vão se posicionar e cobrar, uma vez que não conseguimos defender aquilo que desconhecemos?
O pesquisador Tom Matthews, professor do King’s College, de Londres alerta que podemos estar perigosamente aumentando o risco de mortalidade por calor intenso ou excessivo ao não atingir os limites de temperatura estabelecidos pelo Acordo de Paris. Ele cita como exemplo a situação de países da África Subsaariana como Burkina Faso, Mali e vizinhos, e no Oriente Médio, em países como o Iraque, onde o risco de serem consideradas quentes demais para os seres humanos viverem hoje já é real.
A Amazônia vai estar na crista da onda, nos próximos meses, em todos os veículos de comunicação, nas universidades, nos bares…até o Conselho Nacional de Justiça vai promover um Seminário para discutir o a conservação e o desenvolvimento sustentável naquela região. Tudo isso é muito positivo. Porém, para piorar o cenário já confuso e cinzento surge o “PL da devastação, recentemente aprovado pelo Congresso Nacional, que na prática elimina o licenciamento ambiental no país, o que provocará uma serie de reações no meio ambiente físico e social, facilitando o já demoníaco avanço das mudanças climáticas.
As grandes contradições do país é que continuamos descumprindo as metas de emissão de CO2, nos tornamos membros da OPEP e, sem dúvidas, vamos explorar petróleo na bacia Amazônica. Enquanto isso, a PETROBRAS passa a idéia para a população de que a transição para uma economia verde é uma coisa simples, o que não é verdade.
* Claudio B. Guerra é consultor ambiental na bacia do Rio Doce nos últimos 30 anos. Fez o mestrado em recursos hídricos no UNESCO Institute for Water Education, em Delft, na Holanda.
