Queimadas urbanas: o fogo da ignorância e os alertas da lei
- Os Sinos Anunciam
Dindão- 28/07/2025
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No início do inverno, a fumaça denuncia uma velha prática que ameaça a saúde, o meio ambiente e a cidadania.
Não é exagero repetir este aviso: as queimadas precisam sair da rotina do brasileiro. O inverno chega e, junto dele, a temporada onde muitos insistem em transformar quintais, terrenos baldios e até áreas verdes em cinzas — tudo em nome da “limpeza”. Mas essa desculpa não limpa nada. Pelo contrário: intoxica, destrói e fere a lei.
Alerta da Polícia Militar Ambiental
A Polícia Ambiental tem reforçado seu papel educativo, deixando claro que a missão não é apenas multar, mas orientar. Antecipar o problema é sempre melhor que correr atrás das consequências. E a principal orientação é simples: não coloque fogo; nem em lixo, nem em folhas, nem em capina. Fazer isso não é tradição — é crime.
Queimar é infringir a lei
De acordo com a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), artigo 54, causar poluição que ponha em risco a saúde humana pode resultar em reclusão de um a quatro anos e multa. E sim, isso inclui a fumaça daquele lixo que você queimou no fundo do quintal. Mesmo pequenas práticas podem ter grandes implicações legais — e ambientais.
Fumaça que adoece
A fuligem e os gases liberados em queimadas urbanas são mais tóxicos do que parecem. Compostos como chumbo, arsênio, mercúrio e dioxinas se espalham no ar e contaminam o solo e a água. Respirar esse ar pode causar de conjuntivite até AVC, passando por bronquite, asma e enfisema pulmonar e quem sofre mais são os idosos, as crianças e quem já luta contra doenças respiratórias.
Denuncie
É crime. É poluição. É prejudicial. Se você testemunhar queimadas, denuncie. O número 181 garante sigilo e eficiência. A denúncia chega à guarnição mais próxima e pode evitar prejuízos ainda maiores.
Você pode denunciar também pelos seguintes números: 190 (PMMG), 193 (Corpo de Bombeiros) ou 199 (Defesa Civil).
Cultura que precisa mudar
A prática das queimadas é herança de um tempo em que a informação não chegava. Hoje, sabemos dos danos, dos riscos e das alternativas. Todos sabem que afeta a saúde pública e a consciência ambiental é urgente. Cada cidadão tem um papel nisso: parar de queimar e começar a cobrar políticas públicas, e muito mais que ações educativas, ações punitivas.
Opinião
Não precisa de mais educação, precisa urgente é de mais punição.
É preciso parar de romantizar práticas nocivas disfarçadas de hábito. Queimar lixo não é limpeza. Queimar mato não é cultura. A fumaça que sobe carrega, além de poluentes, a ignorância que insiste em persistir. A mudança começa no ato de dizer não. Porque cuidar do ambiente é cuidar de nós mesmos.
Ecoavis em Rio Piracicaba
A Ecoavis – Ecologia e Observação de Aves, esteve mais uma vez participando de uma “maratona” de “passarinhada” em Rio Piracicaba.
Dessa vez o anfitrião foi o nosso colunista João Sérgio, que assina a coluna “Aves do Piracicaba”, que recebeu um grande grupo de associados da OSC no Sítio Potreiro, guiando-os principalmente pela “Floresta Encantada”, um fragmento de Mata Atlântica pertencente à Cenibra nas divisas dos municípios de Rio Piracicaba, João Monlevade e São Gonçalo do Rio Abaixo.
Tive o prazer de estar junto dessas pessoas especiais durante dois momentos, que apesar de breve, foram intensos e agradabilíssimos.
A Ecoavis é uma associação de formada por profissionais de diversas áreas sem fins lucrativos ou partidários, fundada em 2008, no Parque Municipal das Mangabeiras, em Belo Horizonte. Em comum entre seus associados são a paixão pelas aves e o ativismo ambiental.
Na próxima edição do Tribuna um destaque especial sobre essa “expedição” da Ecoavis na Bacia do Piracicaba.
