A 30ª Conferência do Clima – COP 30 – Belém – PA. Parte 1
“Uma coisa é discutir a Amazônia no Egito; outra coisa é discutir a Amazônia em Berlim ou em Paris. Agora, não. Agora nós vamos discutir a importância da Amazônia dentro da Amazônia. Nós vamos discutir a questão indígena, vendo os indígenas. Nós vamos discutir a questão dos povos ribeirinhos, vendo os povos ribeirinhos e vendo como eles vivem” (Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sobre a COP 30, no Brasil).
“Seria um grande erro anunciarmos que vamos resolver absolutamente tudo em Belém, mas podemos ter avanços realmente significativos em áreas como financiamento. Penso que a gente tem que devolver a confiança de que o combate à mudança do clima não é uma coisa negativa para as populações e para as economias”. (Embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP 30)
A 30ª Conferência do Clima da ONU (COP 30) será realizada de 10 a 21 de novembro de 2025 na cidade de Belém, PA e segundo estimativas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), é esperado um fluxo de cerca de 50 mil visitantes do Brasil e do resto do mundo.
Como estamos nos preparando para esta Conferência que colocará o Brasil na vitrine do mundo? Quais os principais temas serão tratados? Quais são as prioridades da COP 30?
Estas são perguntas chaves e que deverão ser discutidas e deliberadas com profundidade, evitando-se a grande decepção da última Convenção, realizada no Azerbaijão, em 2024. As expectativas são enormes, pois esta é a grande chance de o Brasil retomar sua posição de protagonista na questão global do meio ambiente, como o fez na ECO 92, depois na Rio + 20 e na reunião do G20, todas realizadas na cidade do Rio de Janeiro.
O que o Brasil falará ou irá propor ao mundo? Nos últimos dois anos, as fontes renováveis atingiram 49,1% na matriz energética brasileira. O Brasil atingiu 93,1% da geração de energia elétrica proveniente de fontes renováveis em 2023. Hidrelétricas, fotovoltaicas e eólicas contribuíram para que a matriz elétrica do país continue no destaque como uma das mais limpas do mundo. Além disso, temos inúmeros exemplos de boas práticas em sustentabilidade como um programa consolidado de biocombustíveis em fase de ampliação e também inúmeras experiências nas áreas de agroecologia e cultivos de produtos orgânicos que estão com a demanda em alta, principalmente, nos últimos anos, nas regiões metropolitanas. É curioso observar que a maioria de nossa população reside na região litorânea ou próximo dela e não se lembra que 60% do território do Brasil está na Amazônia! O amor, o encantamento que temos com a Amazônia, com a exuberância de sua floresta, a riqueza de sua biodiversidade, a pujança de seus rios, a grandeza da sua cultura regional não nos aproxima dela. Parece que ela é uma região belíssima, mas de um outro país, distante, que conhecemos tão pouco, principalmente suas mazelas e desigualdades sociais.
Diante da euforia de discutir e colocar a Amazônia para o mundo, é preciso admitir que nós brasileiros conhecemos pouco ou quase nada da Amazônia. Quantas empresas madeireiras, siderúrgicas, grandes usinas hidroelétricas, grandes mineradoras (minério de ferro, bauxita e ouro), soja, gado, pescado, operam na região hoje? Se a região é riquíssima em recursos naturais, como vive sua população? E os impactos socioambientais?
A experiência da ONU há décadas mostra que a questão do financiamento climático se tornou um obstáculo quase intransponível nas Convenções do Clima. Assim, os principais de objetivos da COP30 são os mesmos que vem sendo discutidos nos últimos 10 anos, com avanços e conquistas muito lentos. Os alertas do IPCC, desde 1988, não têm sido suficientes e, assim, caminhamos para uma perigosa emergência climática, como comprovado no ano de 2024, o mais quente de todos os tempos.
O Acordo de Paris 2015 foi um evento marcante no estabelecimento de mudanças no cumprimento das metas até o ano de 2030, mas, na prática, tem se mostrado pouco eficiente. Entre os principais tópicos a serem discutidos e deliberados na COP 30 estão aqueles mesmos presentes na Conferência do ano passado, ou seja:
1. Redução de emissões de gases de efeito estufa de diferentes fontes. 2. Adaptação às mudanças climáticas em diferentes áreas da economia e sociedade. 3. Financiamento climático para países pobres e em desenvolvimento, incluindo a conversão energética.
4. Tecnologias de energia renovável e soluções de baixo carbono. 5. Preservação de florestas e biodiversidade aquática e terrestre.
6. Justiça climática e os impactos sociais das mudanças climáticas.
Concluindo, a COP 30 abrange desafios, conflitos e busca de consensos. Porém, apesar do “glamour” e do marketing, sem o devido financiamento climático ela corre o risco de obter resultados pífios, como em 2024.
* Claudio B. Guerra é consultor ambiental na bacia do Rio Doce nos últimos 30 anos. Fez o mestrado em recursos hídricos pelo UNESCO Institute for Water Education, em Delft, na Holanda.

