AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS E AS ELEIÇÕES GERAIS        

Claudio B. Guerra*

“Somente 0,6 % das emendas de parlamentares federais se referiam e eram “carimbadas” como de serviços ambientais”.

“Pergunte ao seu candidato a presidente, governador, senador, deputado federal, deputado estadual se eles se comprometem a lutar por um meio ambiento saudável e equilibrado ou vão ficar em cima do muro propondo o “diálogo” com as grandes mineradoras, que têm o direito de minerar, mas que matam centenas pessoas inocentes?”.

O cidadão brasileiro, em geral, guarda uma relação confusa com a classe política. Não sem razão, costuma afirmar que todo político é corrupto, embora haja brilhantes exceções. Esta imagem não surgiu do nada, há razões de sobra para tal afirmação, embora no Congresso Nacional (onde temos 577 parlamentares) e nas Assembléias Legislativas estaduais exista ainda uma minoria de políticos honestos e que fazem um trabalho sério.                                                                                                                                                               Vale frisar aqui uma grande contradição: aqueles governantes e parlamentares ditos corruptos foram eleitos pelo voto do povo, isto é, em milhões de casos aqueles que chamam todos de corruptos apóiam e votam nos corruptos, geralmente recebendo algo em troca! Assim, esses cidadãos, indiretamente, são também responsáveis pela corrupção.                                                                                                                                                            O Poder Legislativo (Federal e Estadual) funciona como um “Grande Teatro” onde se elaboram leis importantes para nosso futuro, mas outras, muitas vezes, absolutamente inaceitáveis como a liberação do uso de agrotóxicos que foram banidos na União Européia, a facilitação escancarada para se obter o licenciamento ambiental e o enfraquecimento dos instrumentos de fiscalização.                                                                   Quando acontece uma tragédia ambiental ou um acidente grave os parlamentares ocupam a tribuna e, emocionados, fazem discursos inflamados e depois vão para a mídia. Eles não estão preocupados em se buscar avanços concretos para se enfrentar, por exemplo, as mudanças climáticas que geram inúmeros problemas socioambientais e aprofundam as desigualdades sociais, com impactos desproporcionais sobre as populações periféricas, negras e indígenas. A isto se soma o fato de que, em 2025, A hipocrisia em relação ao meio ambiente é vergonhosa!                                                                                                                                                      No dito popular: “são poucas locomotivas e muitos vagões pesados”, se faz uma alusão à falta de lideranças políticas confiáveis.

Um deputado federal, por exemplo, é um político que é eleito pelo povo pelo voto direto. Assim, ele é um servidor público muito bem remunerado e que deve prestar contas ao povo que o elegeu. Infelizmente, o que temos visto no Congresso Nacional e Assembléias Legislativas é a maioria defendendo somente seus interesses econômicos e de seus aliados. Um dado estarrecedor é fornecido pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral): o total do Fundo Eleitoral para as eleições gerais de 2026 é da ordem de 5 bilhões (dinheiro público).                                                                                                   São muitos os temas sobre os quais os governantes e parlamentares discutem em Brasília e nas capitais estaduais. Sim, é possível somar esforços para transformar, desenvolver, crescer economicamente e reduzir as desigualdades sociais no nosso país.  Entretanto, o desafio é enorme, pois num país continental riquíssimo em recursos naturais como o Brasil temos 5730 municípios, cada um com seus problemas, seja a questão do saneamento básico (construção de lixões ainda, tratamento de água e esgoto etc.) saúde, educação, segurança pública, mobilidade urbana, poluição atmosférica e mais recentemente as mudanças climáticas. Nosso capital natural (água, solos, vegetação, luz solar, atmosfera etc.) precisa ser usado para melhorar a qualidade de vida de nossa população.                                                                                                                                           A questão socioambiental não é de exclusividade do Ministério do Meio Ambiente e de Mudanças do Clima (MMA-MC). Ela interage com a maioria dos 38 ministérios do Governo Federal atualmente, como por exemplo, Planejamento, Fazenda, Orçamento, Minas e Energia, Indústria e Comércio, Portos, Agricultura e Pecuária, Cultura etc. Portanto, a política de Meio Ambiente não pode ser uma política setorial e sim uma de integração entre os ministérios e de interação com o Congresso Nacional.                                                                                                                      Ademais, diante de um cenário de emergência climática (com secas, enchentes e ondas de calor) é preciso adotar medidas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e à adaptação aos seus impactos.                                                                                                                                                 A Política Nacional sobre Mudança do Clima e o Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM) são mecanismos da governança climática, que têm se mostrados lentos e burocráticos, mesmo trabalhando priorizando uma perspectiva interdisciplinar.

Temos tudo no papel: diretrizes, planos, procedimentos. Faltam ações concretas. Aqui, entra o trabalho dos parlamentares cobrando dos governantes na mídia e redes sociais a busca de soluções para os inúmeros problemas socioeconômicos e ambientais atuais.                                                                                                                                                     Portanto, a questão não é só VOTAR num determinado candidato. É preciso conhecê-lo, como ele vê a nossa política climática e que políticas públicas concretas se compromete a defender.  Por isso, é preciso CONHECER, VOTAR, ACOMPANHAR E COBRAR o trabalho dos políticos e governantes que você ajudou a eleger.

* Claudio B. Guerra é consultor ambiental na Bacia do Rio Doce nos últimos 30 anos. Fez o mestrado em recursos hídricos pelo UNESCO Institute for Water Education, em Delft, na Holanda.

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