Aves do Piracicaba: Parque do Areão se apresenta como local seguro para avifauna

Atendendo à ótima sugestão do grande Dindão, fomos, em meados de julho, ao Parque do Areão para uma passarinhada.

Contamos, além da presença ilustre do editor do Tribuna, com a colaboração (no dia do seu aniversário) do Dr. Durval Bruzzi Pitombeira, cirurgião-dentista e passarinheiro, fundamental para o sucesso do levantamento da avifauna do Parque que realizamos.

Em cerca de quatro horas de campo foram detectadas 59 espécies!

Para tanto, além dos registros fotográficos, foi utilizado o Merlin, aplicativo de identificação de aves.

Um dos destaques de nossa expedição é um psitacídeo que já figurou na lista internacional de espécies ameaçadas de extinção (IUCN), a maracanã ou ararinha.

Atualmente, a maracanã está categorizada como quase ameaçada de extinção, devido principalmente a medidas de combate ao tráfico de animais silvestres, sua principal ameaça.

A presença dessa espécie no Parque do Areão demonstra a relevância ecológica de tal empreendimento ambiental. Graças ao Parque, essa linda ararinha encontra alimento, condições de perpetuação (já que necessita de ocos de árvores para nidificação), além de segurança (o parque possui vigilância diuturna, o que inibe os retardatários que ainda insistem em praticar crimes ambientais).

Outra espécie digna de destaque é o tiê-caburé, espécie típica do bioma Caatinga, cujo registro no Parque do Areão foi o primeiro publicado no Wikiaves para o município de João Monlevade, lembrando que o Wikiaves é uma plataforma de ciência-cidadã que congrega cerca de 57 mil usuários.

E pesquisando no próprio Wikiaves, descobrimos que o primeiro registro dessa espécie na Bacia do Piracicaba foi feito em Catas Altas, em 2011, pelo ornitólogo carioca e grande amigo Guilherme Serpa, que esperamos com fé que se recupere o mais rápido possível de um grave aneurisma que sofreu no início desse ano.

A presença do tiê-caburé, assim como de outras aves típicas de biomas vizinhos, como o tucanuçu, também registrado nessa passarinhada, é reflexo da degradação da Mata Atlântica, já que tais espécies não habitam florestas densas, como as que haviam, outrora, em toda bacia.

Dentre tais espécies, o tiê-caburé talvez seja um dos últimos a “invadir” a bacia. E sendo uma espécie típica da Caatinga, levantam-se hipóteses de aumento da temperatura e de “ressecamento” da região.

Nesse sentido, toda intervenção humana que vise a preservação do meio ambiente é de extrema importância, pois estamos caminhando a passos largos para um colapso ambiental.

Estudos indicam a diminuição da água potável armazenada naturalmente nos lençóis freáticos. Nossos rios minguam, assolados pela ambição e desleixo humanos. Queimadas aniquilam a vida que poderia ser motivo de contemplação e expõem toda a ignorância humana.

Mas histórias como a do Parque do Areão são bálsamos em meio a tanto sofrimento.

Para a comunidade local então… o impacto foi grandioso!

Dindão, na sede do Parque, nos mostrou fotos do local, antes e depois da recuperação, promovida por intervenção do ex-prefeito Leonardo Diniz, que por mérito denomina o parque. Dindão teve, aliás, participação decisiva na revitalização do espaço que havia sido literalmente abandonado em algumas gestões anteriores, vindo a receber atenção no mandato do atual prefeito em 2021 e reeleito em 2024, Dr. Laércio Ribeiro.

O cenário, de pura destruição, transformou-se em uma área verde única no coração da cidade, trazendo melhorias que vão muito além das aves, da estética e do microclima da região.

Dindão nos contou que antes do Parque, quando havia precipitações mais fortes, dezenas de caminhões de areia provenientes da antiga área degradada eram retirados de áreas circunvizinhas, das ruas e avenidas da cidade, causando grandes prejuízos.

Bem amigos, vou ficando por aqui, parabenizando todos envolvidos na transformação daquele cenário desolador, onde nada florescia, e que hoje abriga tantos seres viventes e até nascentes de águas cristalinas!

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