Super El Niño 2026: Brasil em alerta para impactos climáticos extremos

Bacias do Rio Piracicaba e do Rio Doce se apresentam ameaçadas tanto às secas e queimadas quanto à chuvas e inundações

Um comunicado da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência ligada à ONU, acendeu um alerta global: há 80% de probabilidade de ocorrência de um El Niño extremamente forte entre junho e agosto de 2026. O fenômeno, que aquece as águas do Pacífico Equatorial e altera padrões climáticos em todo o planeta, pode se tornar um “Super El Niño”, com efeitos prolongados até novembro.

Segundo a OMM, mesmo em intensidade moderada, o El Niño amplia a chance de eventos climáticos extremos. As mudanças climáticas agravam ainda mais os impactos, já que oceanos e atmosfera mais quentes fornecem energia para ondas de calor, chuvas intensas e secas prolongadas.

Impactos previstos para o Brasil

Sul: aumento das chuvas, risco de enchentes e prejuízos à agricultura. O inverno pode ser mais quente, afetando reservatórios de água.

Sudeste e Centro-Oeste: temperaturas acima da média, com impacto no abastecimento hídrico.

Norte e Nordeste: secas severas, elevação das temperaturas e maior risco de incêndios florestais. A Amazônia pode enfrentar falta de água nos rios, comprometendo comunidades ribeirinhas e atividades econômicas.

Felipe Mendes, diretor da T&D Sustentável, alerta que o maior risco não é apenas a escassez de água, mas a falta de preparo:

“A água deveria ter o mesmo nível de monitoramento aplicado à energia e a outros insumos críticos. Quem espera a estiagem chegar para agir perde a janela mais importante: a da preparação.”

Bacia do Piracicaba e do Rio Doce

As Bacias Hidrográficas do Rio Piracicaba e do Rio Doce se encontra ainda mais vulnerável nesse contexto, pois além dos impactos das mudanças climáticas e desse super El Nino, o hidro território enfrenta há décadas o desmatamento para empreendimentos diversos, sejam agropastoris ou minerários, o rebaixamento de lençóis freáticos promovido pelas mineradoras justamente em zonas de recarga hídrica, os chacreamentos irregulares e a ocupação desordenada, interferindo drasticamente na permeabilização do solo.

Além disso, o risco das queimadas, uma ação criminosa que há anos acontece sem devida autuação e punição, poderá literalmente transformar a região em um “inferno”, colocando a saúde pública em alto risco e saturando as já fragilizadas estruturas de defesa civil da bacia.

Contexto global e nacional

O secretário-geral da ONU, António Guterres, reforçou que o mundo precisa tratar o fenômeno como um alerta climático urgente:

“Os impactos serão ainda mais severos, viajarão ainda mais longe e cruzarão fronteiras com velocidade devastadora. A única resposta eficaz é ação climática à altura da crise – acabar com a dependência dos combustíveis fósseis, acelerar a transição para energias renováveis e proteger os mais vulneráveis.”

No Brasil, o governo federal já articula medidas com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para minimizar os impactos. A estratégia inclui reforço em sistemas de alerta precoce e planejamento para setores críticos como agricultura, energia e abastecimento de água.

Preparação é essencial

Celeste Saulo, secretária-geral da OMM, lembra que o último El Niño (2023-2024) foi um dos cinco mais fortes já registrados e contribuiu para recordes de temperatura global em 2024.

“Precisamos nos preparar para um evento potencialmente forte, que agravará secas e chuvas intensas e aumentará o risco de ondas de calor tanto em terra quanto nos oceanos.”

A OMM continuará monitorando o fenômeno e emitindo previsões sazonais para apoiar governos e comunidades. No Brasil, especialistas reforçam que planejamento antecipado é a chave para reduzir perdas humanas e econômicas diante do cenário climático que se desenha.

Por: Adrielle Farias /Fonte: Terra / Edição: A Voz do Rio

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