Notícia
5/6/2022

O arisco “Anu-coroca”, o rei dos anus

Texto e fotos: João Sérgio

Na nossa coluna desse mês vamos apresentar aos caros amigos leitores um anu diferente, que provavelmente poucos de vocês já viram, o anu-coroca.

O anu-preto (Crotophaga ani), ou simplesmente anu, é bem conhecido de todos. É uma das aves mais comuns, não só de nossa região, como de todo Brasil, pois adaptou-se muito bem às pastagens que dominam grande parte de nosso país. O anu-branco (Guira guira) idem (apesar de não tão comum quanto o primeiro, mas também se beneficia dos desmatamentos).

Já o anu-coroca (Crotophaga major) é uma ave bastante exigente, necessitando de áreas preservadas ao longo de áreas úmidas para sobreviver. Também não costuma frequentar clareiras sem alguma árvore ou arbusto por perto, onde costuma se abrigar ao menor sinal de perigo.

Minhas experiências com essa esplêndida ave demonstraram que se trata de bicho arisco. Ao menor sinal da minha presença, fortíssimas vocalizações de alerta eram emitidas e o bando partia, sumindo na mata, deixando somente um rastro sonoro.

O anu-coroca também é bem maior que seu congênere, chegando a medir 46 cm, contra 36 cm do anu-preto, mas o que mais se sobressai como diferença entre ambos é a íris do primeiro. Ela é tão clara que parece até que seus olhos tem luz própria, chamando a atenção do observador, mesmo à distância (essa característica, somada ao grande porte, aos reflexos de sua plumagem e ao seu comportamento social, o tornam uma ave muito interessante de ser observada). Já o anu-branco é facilmente distinguível de ambos pela tonalidade predominantemente clara da plumagem, além de um topete que chama muito atenção.

No mapa de registros do anu-coroca no Wikiaves, percebemos que ele gosta de áreas mais quentes, talvez seja por isso que só temos registros dessa espécie nos municípios da região conhecida como "Baixa Verde": Coronel Fabriciano, Ipatinga, Marliéria e Timóteo. Nesses municípios, além das temperaturas mais altas durante todo o ano, há considerável área preservada (principalmente no Parque Estadual do Rio Doce e arredores), com forte presença de áreas úmidas, enfim, as condições ideias para a sobrevivência dessa espécie, que, infelizmente, devido à destruição do seu habitat, vem diminuindo sua população em várias regiões de sua imensa área de distribuição, ao contrário dos seus já mencionados primos, que se beneficiam do desmatamento.

Todos podemos ajudar na preservação do anu-coroca e de outras espécies que desfilam por aqui, reciclando nosso lixo ao invés de descartá-lo na Natureza (quase sempre tal lixo poluirá algum manancial dágua), preservando as árvores que estiverem sob nossa guarda e na medida do possível até plantando novas, enfim, se cada um de nós fizer o pouco que puder, juntos conseguiremos a transformação que tanto precisamos.
Turma do bem, juntos somos mais fortes, unidos venceremos a destruição e a ignorância!