Notícia
6/6/2020

Expedição Piracicaba mantêm propósitos

Desafios hídricos para os futuros gestores e a relação com a bacia do Piracicaba

“Há um ano estávamos chegando a Ipatinga, na foz do Piracicaba. Conforme planejávamos, no dia 5 de junho de 2020, estaríamos novamente chegando também à foz do Piracicaba, apresentando os resultados do trabalho e dando sequência ao projeto de recuperação da bacia. Devido justamente ao desequilíbrio ecológico é que estamos diante uma pandemia que por esse momento paralisou o planeta. Esperamos que essa situação imposta a todos não seja em vão e que sirva de lição para que possamos, daqui em diante, olhar para nossa casa comum com outros olhos e quando tudo isso passar, continuaremos, assim como o rio, sempre em frente”.

Com essa mensagem o editor do Tribuna do Piracicaba – A Voz do Rio e idealizador e coordenador da Expedição Piracicaba – Pela Vida do Rio, em parceria com o CBH Piracicaba, Geraldo Dindão Gonçalves, comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente, informando sobre uma ação que ainda tem muito a contribuir com uma das mais importantes bacias hidrográficas de Minas e do Brasil – a do Piracicaba.

Resultados

Os responsáveis pelo projeto, Tribuna do Piracicaba – A Voz do Rio e o CBH Piracicaba, sob coordenação técnico científica da Unifei – Campus Itabira, promoverão o lançamento da Revista Viva Piracicaba, que trará a atual situação sócio ambiental da Bacia e do livro técnico com os resultados das análises desenvolvidas pelos laboratórios parceiros – Unifei Campus Itabira, SAAE Itabira e Ufop de Ouro Preto, que apresentará também um parâmetro em relação aos trabalhos realizados pela Expedição Piracicaba – 300 Anos Depois, realizada em 1999 e ainda outros trabalhos realizados anteriormente – formando um quadro comparativo apresentando as mudanças ao longo dos anos.

Uma nova mobilização, passando novamente em todas as cidades da bacia, para apresentar todo esse trabalho, envolvendo novamente toda a população que depende dos recursos hídricos da bacia do Piracicaba está programada.

A integração da bacia passa pela política

Apesar de já, há cerca de 18 anos, existir um órgão que agrega municípios por onde as águas vertem para um curso principal, no caso o Piracicaba, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Piracicaba, a bacia é uma situação geográfica até então desintegrada politicamente.

A Bacia Hidrográfica do Rio Piracicaba possuiu o maior parque siderúrgico da América Latina, dos 21 municípios que a compõem 12 são parte do quadrilátero ferrífero e 5 municípios se destacam entre os 30 maiores PIBs do estado – um potencial econômico e político que juntos não pode ser desprezado.

São 21 municípios que, somente agora, com as tragédias causadas por rompimento e ou ameaça de rompimento de barragens de rejeito de mineração, percebem como um está totalmente ligado aos demais.

Basta saber que, a ameaça de rompimento da Barragem Superior Sul da Mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais, colocou em alerta nove cidades (Barão de Cocais, Santa Bárbara, São Gonçalo do Rio Abaixo, João Monlevade, Nova Era, Antônio Dias, Timóteo, Coronel Fabriciano e Ipatinga) da bacia – colocando em risco o abastecimento de água de mais de 600 mil pessoas.

Já o risco de rompimento da Barragem Campo Grande, na Mina de Alegria, em Mariana, já coloca mais dez cidades na rota da lama mortal (Santa Rita Durão – Mariana, Fonseca- Alvinópolis, Rio Piracicaba, João Monlevade, Bela Vista de Minas – Capela Branca, Nova Era, Antônio Dias, Timóteo, Coronel Fabriciano e Ipatinga).

Somente agora, diante essa situação é que a inter-relação se mostra clara a todos os municípios e suas respectivas administrações.

Não se pode mais tomar atitudes em uma ponta, em Mariana, como por exemplo, sabendo que a outra ponta, Ipatinga, sofrerá as consequências. Também essa outra ponta, Ipatinga, não poderá mais ficar alheia às decisões tomadas em uma ponta, como em Mariana, sabendo que essas decisões poderá afetar toda região.

Diante essa total exposição, deixando todos os municípios, uns à mercê das atitudes dos outros, é que a Expedição Piracicaba colocou como um dos objetivos a integração dessa situação geográfica.

A política na bacia

Durante a Expedição, a maioria dos gestores municipais entenderam o recado e atenderam ao chamado comparecendo efetivamente às mobilizações e se envolvendo na luta pela revitalização da bacia.

Entretanto estamos diante eleições que mudará o quadro político da região.

Dindão destaca que é de extrema importância o envolvimento desses políticos candidatos com a questão hídrica de suas respectivas cidades.

Essa relação com as questões hídricas passam pela participam destes no Comitê de Bacia Hidrográfica, afinal, o Piracicaba arrecada atualmente cerca de 12 milhões anualmente que devem ser investidos justamente nas questões hídricas – que são o foco do principal gargalo que as novas gestões públicas enfrentarão.

Você candidato a prefeito e você candidato a vereador – o que pensa sobre o tema?