Notícia
23/5/2020

Inhambu - Uma ave vítima da caça e do desmatamento

Caros amigos leitores do Tribuna, hoje vamos falar do inhambu-guaçu (Crypturellus obsoletus), uma ave cinegética, ou seja, uma espécie comumente procurada para fins de caça.

Claro que nos referimos a tempos retrógrados, pois, já a algum tempo, é ilegal e imoral caçar animais silvestres. Os mais antigos, que já caçaram, certamente o reconhecerão e poderão matar a saudade (o que é muito melhor do que matar o bicho) com as fotos que ilustram nossa coluna desse mês.

Também por ser uma ave cinegética, ela é arisca, pois não só o homem, mas toda uma gama de predadores apreciam sua carne, o que torna seu registro algo desafiador para os fotógrafos de vida selvagem.

Aliás, tais fotógrafos são os caçadores modernos: o tiro certeiro é o foco com a configuração correta, que em vez de matar, eterniza a espécie, e que em vez de atender a algum caprichoso paladar, democratiza o conhecimento e atende à necessidade conservacionista, despertando a admiração, que, por sua vez, leva à conscientização.

O inhambu-guaçu sofre também pelo desmatamento, pois é uma espécie que depende da floresta pra sobreviver, alimentando-se de seus frutos e de insetos que vivem na serrapilheira.

Uma curiosidade acerca dessa espécie: o macho incuba e cria os filhotes, de forma que, só com sua morte, a fêmea se incumbe de tal tarefa.

No maior site ornitológico do mundo, o Wikiaves, temos registros do inhambu-guaçu nos seguintes municípios da bacia: Rio Piracicaba, Barão de Cocais, Timóteo, Ouro Preto, Catas Altas, Santa Bárbara, Ipatinga, Antonio Dias, Itabira, Marliéria e Mariana.

Se seu município não se encontra na lista, que tal tentar incluí-lo? É muito simples, crie uma conta gratuita no Wikiaves, baixe no seu celular o canto do inhambu-guaçu, vá a alguma floresta sobrevivente e toque o canto baixado. Fique de prontidão com o gravador de som do celular, se algum inhambu-guaçu responder, é só gravar e depois baixar no Wikiaves. Assim você estará colaborando com a ornitologia, fazendo o que chamamos de ciência-cidadã, prática que teve início em 1900, com os próprios observadores de aves.