Notícia
13/2/2020

Catas Altas corre risco de ficar sem água

Votação de outorgas da Vale em Catas Altas é adiada para depois do Carnaval

O Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CERH) deixou para o próximo dia 28 – depois do Carnaval – a votação de duas outorgas da Vale para uso de água no distrito de Morro D’Água Quente, em Catas Altas, para avanço da exploração mineral na região. O pedido de vista que resultou no adiamento foi feito por três conselheiros em reunião realizada na manhã do dia 11, na Câmara Técnica de Instrumento de Gestão do CERH, em Belo Horizonte.

Por falta de respostas a questionamentos apresentados na reunião do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Piracicaba (CBH), no dia 17 de janeiro, na sede da Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Piracicaba (Amepi), em João Monlevade, o secretário municipal de Meio Ambiente de Santa Bárbara, Felipe Fernandes Guerra, foi o primeiro a reclamar a retirada das autorizações da pauta.

O pedido do secretário foi acompanhado pelo representante da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Odorico Araújo, e pela representante da Associação para a Gestão Socioambiental do Triângulo Mineiro (Angá), Marta de Freitas, quem fez as críticas mais duras aos pedidos de outorgas da mineradora.

O secretário municipal de Meio Ambiente de Catas Altas, Reginaldo Sales Nascimento, compareceu à reunião acompanhado por três moradores da região do Morro D’Água Quente, entretanto, com a retirada dos pedidos da pauta, eles não puderam usar a tribuna. Nem mesmo após a solicitação de Marta de Freitas, a presidente do (CERH), Rayssa Cordeiro Figueiredo, que representa o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) no colegiado, permitiu que eles falassem.
Em uma defesa contundente dos moradores de Catas Altas, Marta de Freitas – que fez sua estreia na reunião de ontem, já que agora é ela quem substitui o ex-conselheiro Gustavo Tostes Gazzinelli – criticou a forma com que a Vale quer executar os projetos. Segundo ela, não há vantagem alguma para a comunidade de Morro D’Água Quente se as outorgas forem concedidas. “O que a cidade ganha é a destruição”, disse a conselheira. Nem mesmo há a garantia de geração de emprego e renda para a população local, além da falta de segurança e os impactos na saúde.

“Com a outorga, vai faltar água na região. Com isso, toda a questão cultural, toda a história daquele lugarejo morre, porque toda a área de lazer das águas passa a ser propriedade da Vale e será fechada [para a visitação]. A Vale vai usar tudo para o seu benefício e por pouco tempo. Ela vai simplesmente deixar para as pessoas um deserto, uma população mais adoecida e impactada”, defendeu a conselheira.

Prefeitura se declara contra

Tanto o prefeito, José Alves Parreira, quanto o vice-prefeito, Fernando Guimarães, já se declararam contra a reabertura das Minas de Almas e Tamanduá, justamente devido aos impactos que a exploração trariam à comunidade do Morro DÁgua Quente – já que se encontram muito próximas do distrito, bem como à toda população de Catas Altas, que podem sofrer com o desabastecimento de água.

A empresa tenta amenizar os impactos, mas diante os últimos acontecimentos envolvendo a Vale – a mesma não conta com credibilidade na região, como explicitado nas últimas reuniões envolvendo o tema, tanto no Distrito quanto no CBH Piracicaba, quando, no primeiro houve até violência contra funcionário da empresa e nas plenárias do comitê, desabafo e apresentação de provas irrefutáveis contra o projeto da empresa.

Com informações Diário de Santa Bárbara